Bap e o “Flamengo malvadão”: quando a rivalidade vira chororô jurídico contra o Vasco

Presidente rubro-negro ameaça Justiça para impedir venda da SAF do Vasco a Marcos Lamacchia e revela mais uma vez o medo de perder hegemonia financeira

Foto: Charla Podcast

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, voltou a dar o ar da graça nesta semana. Em entrevista ao Charla Podcast, o dirigente rubro-negro ameaçou novamente acionar a Justiça caso o empresário Marcos Lamacchia, enteado da presidente do Palmeiras, Leila Pereira, concretize a compra de 90% da SAF do Vasco da Gama.

Segundo Bap, a operação violaria a lei por configurar “propriedade cruzada” e conflito de interesses, já que existe uma relação familiar indireta. Ele usou a famosa metáfora: “não pode estar com o pé em duas canoas”.

Até aqui, poderíamos até aplaudir a preocupação com a integridade das regras do futebol brasileiro. O problema é que a postura de Bap soa muito mais como defesa corporativista do status quo do que como genuína preocupação com a lei.

Vamos ser francos: Flamengo e Palmeiras dominam o cenário nacional há anos, com orçamentos estratosféricos e títulos recentes. Um Vasco fortalecido financeiramente, com aporte de cerca de R$ 2 bilhões, representa exatamente o que o futebol brasileiro mais precisa: maior competitividade. Em vez de celebrar a possibilidade de um rival histórico voltar a brigar de igual para igual, o presidente do Flamengo prefere correr para o Judiciário para tentar impedir.

Essa não é a primeira vez que Bap se manifesta contra o negócio. Há meses ele vem repetindo o mesmo discurso, sempre com tom de “eu estou apenas defendendo a lei”. No entanto, chama atenção o fato de o Flamengo nunca ter sido tão rigoroso com outros casos de investidores que atuam em múltiplos clubes ou com conflitos de interesse menos explícitos quando isso não afeta diretamente seus interesses.

A hipocrisia fica evidente: o mesmo Flamengo que historicamente se beneficia de um calendário favorável, de arbitragens polêmicas e de um poder político enorme dentro da CBF agora se apresenta como guardião da moralidade esportiva. “Não é o Flamengo malvadão, é a lei”, diz Bap. Mas a impressão que fica é que a lei só importa quando ela serve para manter os concorrentes mais fracos.
Um Vasco forte não prejudica o futebol brasileiro — pelo contrário, enriquece o campeonato, aumenta a rivalidade sadia e pode até forçar o próprio Flamengo a evoluir. Impedir um investimento bilionário via ameaças judiciais é, no mínimo, um péssimo sinal para quem realmente quer ver o Brasil crescer no esporte.
Que a CBF, o STJD e o Poder Judiciário analisem o caso com isenção e com base na legislação vigente. Mas torcer para que o Vasco permaneça eternamente na corda bamba financeira só porque incomoda o Gigante da Gávea revela um espírito pequeno demais para um clube do tamanho do Flamengo.
O futebol precisa de mais dinheiro, mais transparência e, principalmente, menos chororô de quem já está no topo.
Robertinho Silva é radialista e jornalista profissional, com registro DRT Nº 0043008/RJ. Atua na cobertura esportiva com foco total no Vasco da Gama e em notícias Gerais do Esporte no Rio de Janeiro. É colaborador do canal Radialista Amaury, onde produz conteúdos diários sobre futebol e cotidiano regional.
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